domingo, 2 de janeiro de 2011

FIM DA ERA LULA....

Fim da era Lula. O final apoteótico com a passagem da faixa presidencial para a Dilma e depois o mergulho nos braços do povo.

Tenho certeza de que Lula transcendeu os limites humanos ali... tornou-se herói, ou melhor, assumiu o herói que já era. Lágrimas, quebra de protocolo, uma festa da nossa democracia. Esse país tem dessas coisas: elege um homem de origem humilde, marcado por uma trajetória cheia de lutas sociais, primeiramente pessoais, depois coletivas. Pode-se falar qualquer coisa dele, porém não lhe podem negar a condição sobre-humana, sua inteligência superior e o dom de transformar em verdade autêntica as dúvidas que flutuam em nosso controvertido universo político. Lula é unanimidade? Claro que não. Meu grande professor já dizia que toda unanimidade é burra, e o povo que elegeu Lula não é um povo burro. É um povo que teve que saber superar preconceitos, nossa tradição aristocrática e oligárquica de acreditar nos ricos como os únicos capazes de serem honestos. Que coisa, heim? Lula enfrentou o pleito várias vezes antes de ser consagrado com o cargo maior da vida nacional. Perdeu para Collor, perdeu para Fernando Henrique, ambos representantes das elites, um oriundo das velhas famílias dos senhores de engenho, rico e playboy, sonho de consumo de qualquer brasileiro deprimido e oprimido pelas pressões econômicas no seu sonho de voar (de avião, é claro); o segundo um legítimo representante das elites intelectuais, um passado de sociólogo e professor brilhante, com livros cassados pela ditadura e exilado político. Um progressista, socialista, político de esquerda, participante das primeiras manifestações do PT, ao lado de um sindicalista radical e ótimo negociador, um líder nato. Esse é o nosso Lula. Suas derrotas foram como vitórias, porque foram decisivas para o amadurecimento de nossa vontade de mudar o país.

Conseguimos? Talvez não... mas uma coisa é certa. O fato de elegermos uma sucessora, mesmo que tenha sido numa luta difícil, porque do outro lado havia mais um representante das elites intelectuais, cujo passado, de maneira semelhante ao do Fernando Henrique Cardozo, passa também pela formação de homem de esquerda, líder estudantil (foi presidente da UNE), além da fama de bom administrador. Luta difícil, portanto, e que só valoriza a vitória dessa mulher que hoje afirma: “sou a presidenta de todos os brasileiros”.

Lágrimas na despedida, lágrimas na posse. Duas versões importantes das mudanças no cenário político brasileiro. Creio eu que é mesmo um sinal de amadurecimento: elegemos a primeira mulher presidente do Brasil. Ela já está trabalhando, é fácil perceber que ela está muito preparada para o que há por vir.

Relembrar o passado de ativista na luta pela democracia não foi um lance demagógico. Foi uma retomada de um compromisso. Sou ainda daqueles que crêem na verdade das palavras e quero morrer assim. E quero crer, e creio, que estamos vivendo um momento histórico. A passagem de Lula, seu mergulho nos braços do povo e a homenagem de Dilma a todos aqueles que tombaram naquela guerra cheia de tragédias pessoais só me fizeram deixar as lágrimas se abraçarem ao presente. Um presente otimista. E nos sentimos importantes por viver nele.

Nenhum comentário:

Postar um comentário