sábado, 25 de dezembro de 2010

ESTRADAS VAZIAS


Na solidão que percorre nossas veredas deparo-me com a pergunta: por quê? Já havia meditado sobre as incertezas e conclui que era mais um sintoma da era.. a caminhada solitária do poeta nada tem extravagante ou quimera sofredora. Alvares de Azevedo transformou o quarto fechado em um universo onde as tabernas, as mulheres, o satanismo das orgias, tudo flutuava com a beleza pueril. Então que existe de mal em caminhar numa estrada vazia, levando consigo o mundo de fantasias, notas musicais, melodias fantásticas? Levar na solidão aquele menino que ficava na sala entre discos de rock, desenhando no papel em branco a grande banda da Terra...
na Solidão que percorre nossas veredas me encontro.. o "my self"conforme me crio... sem medo de ser desmascarado. O duro, no entanto, é perceber que os limites disso não são assim tão nítidos, ao contrário, as linhas se dispersam nesse tecido de realidade. Me componho (a colocação do pronome na posição enclítica, contrariando a gramática mesmo). Me conformo. Me assumo. Adeus limites.. não existe em mim qualquer compromisso com os "frames" desse tempo... aqui deixo abertas as barreiras, sem qualquer impedimento podemos viver nesse trânsito. Até porque, o que é realidade? Uma estrada vazia vale a pena...

Nenhum comentário:

Postar um comentário